Blog Rica Perrone

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Bandos


É da cultura do brasileiro mudar o comportamento em bando. E quando digo isso nem estou isentando o resto do mundo, apenas considerando que não o conheço tão bem.

 

100% dos problemas no futebol acontecem em bando. E todas as vezes serão problemas em shows, festas, jogos de futebol. Simplesmente porque se permite o “bando”.

 

Nenhum daqueles idiotas das cenas de sábado em São Januário faria absolutamente nada sozinho. Aposto até que 90% deles chegaram em casa com crise de choro, cueca borrada e esporro da mulher.  Ninguém chega em casa em bando.

 

Todo bando é perigoso.  Todo bando se acha forte.  Seja uma barra formada por um “bando de nerds” ou uma organizada formada por um “bando de marginais”. Todos eles, pra qualquer direção, mudam suas atitudes em bando.

 

Na escola, em bando, somos folgados. Sozinhos, nem tanto.  Todo poder que o bando dá a um ser humano está atrelado a cultura da impunidade individual.  Toda vez que alguém se junta a 500 pessoas e atira um copo, ele sabe que quem atirou foi “aquele bando”.  E então, o problema se torna mais covarde ainda.

 

Embora seja de fato um problema individual, cabe ao bando a indole de condenar o ato.  E toda vez que o bando encobre o infrator, torna-se um bando perigoso.

 

No futebol em 99% dos casos, seja por maldade, união ou clubismo, o bando fecha entre sí e dane-se o bom senso.  Não há bando disposto a pensar no coletivo. O bando quer o bem do bando em primeiro lugar.

 

Organizados por um ideal mudam esse ideal conforme os anos passam.  As simpáticas e fofas barras bravas já estupram quem discorda deles, o que há 10 anos era quase inacreditável, já que a minoria que pedia espaço era justamente eles.

 

As organizadas pediam festa. hoje a destroem.   Porque ha 30 anos eles queriam fazer festa. Ha 20, a melhor festa. Ha 10, matar quem fazia a festa melhor que eles. E hoje eles só querem ser “a mais temida”.

 

É o caminho do bando numa sociedade doente de terceiro mundo. Tenho amigos educados, classe média alta, ricos que, em bando, se transformam em perfeitos imbecis.  Não é a educação, nem a classe social. É do ser humano, talvez institivo, não sei.

 

Sei que em campo nós somos muito mais animais do que seres humanos. E em bando qualquer animal fica forte.

 

Os bandos não tem caráter quando encobrem seus infratores. E nestes casos, ou seja, 99% deles, punição aos infratores e o fim dos bandos.

 

Quem quer ser justo não concorda com o crime quando cometido pelo seu parente.

 

abs,

Rica Perrone